Beatriz Lopez Lonskis Bezerra (valor econômico)

Beatriz Lopez Lonskis Bezerra (valor econômico)

UX para todos (na prática)

Gostaria de convidar os presentes para refletirmos juntos sobre o significado real de UX. Donald Norman, que cunhou o termo UX, diz que a experiência do usuário (ideal) deve estar de acordo com as necessidades do usuário, sem aborrecer ou incomodar. E, ainda defende os atributos de elegância e simplicidade para agregar valor real à essa experiência. Em resumo:

“In order to achieve high-quality user experience in a company's offerings there must be a seamless merging of the services of multiple disciplines, including engineering, marketing, graphical and industrial design, and interface design.”
(Fonte: https://www.nngroup.com/articles/definition-user-experience)

Com essa definição verdadeira de UX em mente, vamos nos questionar se realmente estamos projetando para todos em todos os aspectos?

Explico o porquê desses questionamentos. Nota-se a preocupação crescente e constante nas interfaces. Ok, essa preocupação é compreensível, uma vez que a tecnologia está crescendo consideravelmente nas telas. Porém, muitos de nós esquecemos de considerar a experiência do usuário sob o ponto de vista contextual e também acabamos deixando de lado alguns deles, mas não menos potenciais, como os idosos e as pessoas com deficiência, por exemplo.

Apresento abaixo alguns números para ressaltar a importância desses usuários “esquecidos”:
- Segundo a OMS, com os dados do ano 2011, há um bilhão das pessoas vivendo com algum tipo de deficiência;
- Conforme a pesquisa recente do IBGE, já são 23,5 milhões de pessoas com mais de 60 anos. E ainda: “apenas nos próximos 25 anos, a proporção de latino-americanos com mais de 60 anos avançará de 11% para 20% da população, metade do tempo que os europeus levaram para fazer essa transição, entre 1950 e 2000” (extraído do seguinte link: http://www.valor.com.br/brasil/4822204/brasil-tem-ritmo-recorde-de-envelhecimento)
E ainda, haverá casos em que algumas pessoas venham a adquirir alguma deficiência no decorrer da vida por meio de doença ou de acidente, além de deficiências temporárias como fraturas e imobilização de um membro do corpo, por exemplo.
Juntando esses dados e cenários, podemos perceber a importância e a potencialidade de trabalhar para e - por que não? - com essas pessoas. Não somente para contribuir no fluxo da economia, mas também assegurar o bem-estar dos idosos e das pessoas com deficiência por meio dos serviços e artefatos digitais, sem esquecer algumas áreas críticas como conforto, autonomia, sua segurança, como a internet das coisas e healthcare. É aí que entra UX como um dos pontos importantes para garantir isso.

Embora haja avanço na acessibilidade e um número crescente na abordagem do tema de acessibilidade na área de UX, além do desenvolvimento de alguns sites e aplicativos acessíveis, ainda há resistência por parte das empresas em tornar seus produtos e/ou serviços acessíveis sob a justificativa de que os custos podem ser altos. Entre outros motivos, alegam falta de conhecimento ou experiência para adaptar os produtos e serviços para esse público um tanto desconhecido até agora. Sem correr atrás para aprofundar os conhecimentos necessários e aprimorar a experiência de viabilizar/disponibilizar produtos e serviços acessíveis, estaríamos subestimando a potencialidade no consumo, o crescimento de novos mercados e, até mesmo, a inovação. Se a gente parar para observar, veremos que há muitos setores econômicos potenciais como os já citados anteriormente, a internet das coisas, healthcare e, uma área com poucos anos no mercado e ainda ausente no senso comum, a tecnologia assistiva.

A meu ver, apesar de ser incipiente por ora, a tecnologia assistiva pode proporcionar muitas oportunidades para trabalhar com o desenvolvimento de produtos direcionados às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Pois, TA também abrange produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços (https://www.linkedin.com/pulse/ind%C3%BAstria-de-tecnologia-assistiva-pequena-introdu%C3%A7%C3%A3o-eduardo-cruz?trk=prof-post). São os setores em que a UX também atua.

Enfim, tendo em vista todas essas informações levantadas, se nós, os designers que trabalhamos com experiência do usuário, colocarmos o significado real de UX em prática e aproveitarmos essas oportunidades significativas, poderemos colaborar fazendo nossa parte, na inovação, no desenvolvimento de novos mercados, na autonomia e no bem-estar desse público. No fim, todos sairemos beneficiados.


Sobre a palestrante

Sou designer há 10 anos e trabalho na área de UX há mais de 5 anos. Especialista em Gestão da Comunicação em Mídias Digitais. Já trabalhei nas empresas Abril e Terra. Atualmente estou trabalhando no Valor Econômico.

linkedin.com/in/beatrizlonskis