Tatiana Kayser

Acessibilidade e Inclusão: Você Realmente Está Fazendo a Sua Parte?

A sociedade costuma ser unânime ao admitir que acessibilidade e inclusão são temas importantes. Porém, será que você, enquanto cidadão e UX Designer, realmente está fazendo a sua parte para construir um mundo verdadeiramente acessível e inclusivo?
Meu objetivo é que, ao final desta palestra, você saia daqui com mais perguntas do que respostas sobre isso. Porque, nesse tema, não há receita de bolo: o design acessível e inclusivo passa obrigatoriamente pelo reconhecimento da própria ignorância sobre o assunto e a vontade genuína de acolher necessidades que provavelmente não te pertencem.

O Censo 2022 do IBGE revelou que 14,4 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência no Brasil. Isso corresponde a 7,3% da população de 2 anos ou mais. Isso é mais que toda a população de países como Portugal, Grécia e Bolívia. Nosso design está contemplando todas essas pessoas? O app que estou desenvolvendo está acessível para pessoas usuárias de recurso de leitor de tela? Estou colocando descrição de imagem no texto alternativo do meu carrossel de fotos no Instagram? O produto que estou projetando pode ser utilizado por pessoas que têm limitações de movimentos das mãos? O evento que estou organizando dispõe de acessibilidade em Libras? O layout do portal que estou desenvolvendo leva em consideração as necessidades de pessoas neurodivergentes?

Tenho pais que são pessoas com deficiência, me casei com um homem que tem uma deficiência visual (e hoje é cego), tenho um filho autista e tive um diagnóstico tardio de autismo (após o diagnóstico do meu filho). E, mesmo fazendo parte dessa “bolha”, estou longe de saber de tudo sobre esse assunto. Porém, usei toda a dor e todo o aprendizado da minha experiência de vida para ajudar a construir, no maior banco público do Brasil, um ecossistema de profissionais e equipes engajadas na construção de um país mais acessível e inclusivo. Percebemos que, ao invés de ficarmos “apagando incêndios”, precisávamos nos debruçar sobre as esteiras dos processos de desenvolvimento e conscientizar as pessoas envolvidas sobre suas responsabilidades. Acessibilidade não é mais tarefa de um setor segregado. É responsabilidade de todos nós.

Para ser desenvolver produtos e serviços com a premissa do design universal, você precisará sair da postura defensiva e assumir uma postura de constante incompletude, de aprendizagem contínua, de compreensão do erro como parte do processo. Estejamos abertos para germinar nosso design, acolhendo novas tecnologias assistivas, e para regenerar nosso design, a partir de uma prática ética, sustentável e acessível para todas as pessoas.


Sobre a pessoa palestrante

Licenciada em Letras Português e Literatura. Pós-graduada em Gestão de Pessoas. Empregada CAIXA há 18 anos. Pessoa autista.

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