Júliia Moimas
Autonomia Coletiva: Uma Alternativa para manter o entusiasmo no mercado de design
Como designer e pesquisadora, notei que na maioria das vezes seguimos teorias de UX à risca por medo de errar e que o que aprendemos em cursos e livros não acontece por completo na prática. Por isso, sou entusiasta de compartilhar conhecimento, acredito que experiências revelam adaptações necessárias da teoria para a prática.
Quando a agenda de cases que eu liderava na empresa deixou de existir, senti falta de um ambiente seguro para aprender e levei minha demanda para a rede. Assim, criei o Grupo de Estudos de Design e Pesquisa: uma comunidade de 600 membros. Apesar de ser um projeto de UX Research, não vou apresentar sobre a disciplina, mas sobre sua dinâmica.
Nesta palestra, quero compartilhar como liderar o Grupo me trouxe a autonomia. Minha proposta é fundamentada na literatura de Paulo Freire, utilizando a "Educação como Prática da Liberdade" para romper com a lógica que considera o trabalhador como executor de tarefas. Também trago Ailton Krenak com a importância de "adiar o fim do mundo” através do resgate da nossa subjetividade. No design, isso significa criar espaços onde somos sujeitos que duvidam e sentem. Ao ter um ambiente em que minhas dúvidas eram compartilhadas por diferentes perspectivas, me senti segura para questionar o contexto e defender minhas decisões. O trabalho deixou de ser uma tarefa repetitiva e passou a ser estratégico. A partir disso, retomei minha subjetividade, o que me trouxe entusiasmo sobre meu papel.
O Grupo tem encontros online, mensais e gratuitos, baseados na educação construtivista. Diferente de comunidades e guildas que focam no conteúdo, o foco é no sentimento. Com esse formato, a confiança dos participantes sobre um tema pode aumentar 20%, comparando antes e depois da reunião (pesquisa interna). Além disso, participantes declaram que o projeto promove sensação de pertencimento e acolhimento.
Em um mercado que o valor do design ainda precisa ser provado, a competição dificilmente mudará. Mas o Grupo provou que a relação com ele pode ser entusiasmante se temos espaço para desenvolver autonomia e atuar de forma estratégica.
Minha provocação é romper o padrão do designer que faz apenas para entregar, para o que assume um papel estratégico a partir da validação da sua experiência, o que chamo de Autonomia Coletiva. Entendo que esse conceito é uma semente para cultivar ambientes de design sustentáveis. Logo, o futuro do Design exige reconhecer que o crescimento profissional depende de um solo de confiança, onde a autonomia coletiva sustenta a individual.
Para isso, proponho recomendações práticas: não tenha medo de compartilhar, tenha conversas honestas e estabeleça acordos claros sobre o que não está funcionando. Como nos ensina Krenak, enquanto tivermos a capacidade de tecer redes de afeto, estaremos adiando o fim do nosso mundo. Provamos que o entusiasmo sobrevive onde decidimos que aprender e liderar são, acima de tudo, atos coletivos de liberdade e sobrevivência.
Sobre a pessoa palestrante
Sou entusiasta em compartilhar conhecimento. Me formei em Publicidade e Propaganda, pós graduação em Design e Gestão de Negócios e cursando em Antropologia Cultural. Trabalho com design e pesquisa há 10 anos, antes atuando com branding e design de embalagens no varejo. Migrei para UX em 2019, como UX Researcher na Zup, depois Picpay, e atualmente estou no Itaú. Lidero o Grupo de Estudos de Design e Pesquisa como projeto pessoal.
